Resultados de estudos demonstram a urgência em promover ações para a saúde mental e bem-estar dos profissionais de saúde que atuam durante a pandemia.

Por Silvia Miranda Amorim, doutora em Psicologia, voluntária do Apoiar Saúde e professora da faculdade UNIVERTIX. Matipó, Minas Gerais, Brasil.

e-mail: silvia.miranda.amorim@gmail.com

A saúde mental dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente da COVID-19 tornou-se uma preocupação mundial com o avanço da pandemia. Um estudo desenvolvido na região de Wuhan, na China, onde surgiram os primeiros casos, demonstrou que os trabalhadores de hospitais que atendem pacientes da COVID-19 relataram elevados níveis de sintomas de depressão, ansiedade, insônia e angústia 1. Resultados como este demonstram a urgência em promover ações para a saúde mental e bem-estar desses profissionais.

A alta prevalência de Covid-19 na população geral de muitos países, associada à alta taxa de contágio, gera uma demanda sem precedentes aos serviços de saúde em todo o mundo. Essa demanda tem sido atendida por uma força de trabalho já esgotada e que se esgota ainda mais neste momento 2. No Brasil, estima-se que quase 200 mil profissionais de saúde estão entre os suspeitos de infecção pela COVID-19, sendo que entre os mais atingidos estão os técnicos ou auxiliares de enfermagem (34,2%), seguidos dos enfermeiros (16,9%), dos médicos (13,3%) e dos recepcionistas (4,3%) 3.

Diante dessa situação crítica, os profissionais de saúde correm o risco de ter sua saúde mental severamente comprometida. Além das grandes chances de contágio, esses profissionais experimentaram um aumento no volume e na intensidade de trabalho e a necessidade de acomodar novos protocolos à sua rotina. A carga de trabalho esmagadora, a falta de equipamentos de proteção, a cobertura da mídia, a falta de medicamentos específicos, a necessidade de isolamento dos amigos e familiares, as responsabilidades que surgem em face da crise e os sentimentos de apoio inadequado, entre outros, contribuem para a sobrecarga desses profissionais. Além disso, são difíceis os julgamentos éticos/morais das decisões tomadas nos hospitais e o estigma da sociedade, que os percebe como potenciais portadores da doença e, logo, como uma ameaça à segurança de outras pessoas 2.

É importante ressaltar que vários profissionais que estão na linha de frente da COVID-19, em especial enfermeiros e técnicos de enfermagem, já se queixavam das cargas excessivas e más condições de trabalho, aliadas ao medo das doenças infectocontagiosas e à pouca atenção recebida por parte dos seus gestores e empregadores, que resultam em elevadas taxas de sofrimento, estresse e até suicídio. Considerando o contexto atual, que leva esses profissionais a circunstâncias extremas, são essenciais iniciativas de suporte emocional a essas categorias.

Os serviços de assistência psicológica, por meio de telefone, internet e aplicativos de aconselhamento ou intervenção, têm sido amplamente utilizados em resposta ao surto de COVID-19. Essa estratégia é especialmente importante para atender os profissionais de saúde. A plataforma Apoiar Saúde tem como objetivo oferecer aconselhamento psicológico gratuito aos trabalhadores da saúde da linha de frente da COVID-19. Acesse www.apoairsaude.com e agende seu atendimento.

Referências

1 Lai J., Ma S., Wang Y., Cai Z., Hu J., Wei N., Wu J., Du H., Chen T., Li R., Tan H., Kang L., Yao L., Huang M., Wang H., Wang G., Liu Z., & Hu S. (2020). Factors associated with mental health outcomes among health care workers exposed to coronavirus diseas 2019. JAMA Network Open, 3(3). Doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.3976.

2 Maben, J., & Bridges, J. (2020). Covid‐19: Supporting nurses’ psychological and mental health. Journal of Clinical Nursing. Doi: 10.1111/jocn.15307

3 Agencia Brasil (14 de maio de 2020). No Brasil, 31.790 profissionais de saúde contraíram COVID-19: Técnicos e auxiliares de enfermagem são os mais afetados. Disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-05/no-brasil-31790-profissionais-de-saude-contrairam-covid-19